Eutanásia e aborto

“É uma atitude mental baseada no desejo de que os outros se livrem de seu sofrimento”.[1]

O ser humano tem o livre arbítrio de decidir como é que ele vai viver sua própria vida, cabe a cada um escolher quais atitudes são corretas em relação a ele mesmo. Partindo dessa idéia a eutanásia não seria algo condenável quando praticada com o consenso da pessoa que pretende se suicidar.

O sofrimento é algo que deve ser evitado na vida de qualquer pessoa, pois a razão da vida é buscar ao máximo a felicidade. A eutanásia é o alívio para uma situação que, para o ser humano, pode ser insuportável.

A legalização da eutanásia deveria ser aceita mundialmente, bem como a do aborto, e tais legalizações são impedidas por questões religiosas. Considerando o fato de que existem várias religiões no mundo e que, além destas, ainda existe o ceticismo, a eutanásia e o aborto deveriam ser praticados por quem os quer praticar.

A intervenção de um grupo religioso ou do Estado – já que, no Brasil, a eutanásia e o aborto são contra a lei – são apenas obstáculos que dificultam e tornam o processo muito mais complexo. O cidadão tem o direito de decidir como e onde ele quer viver sua vida.

De acordo com a frase de Dalai Lama, entretanto, a eutanásia é permitida, pois pessoa tem o direito de decidir quando acabar seu sofrimento, e, portanto, tem condições de decidir quando acabar com sua própria vida. Tal frase parte de um ideal de igualdade, que permite a todos as escolhas de sua própria vida.[2]

A razão deve ser aplicada em várias situações, porém a vida não é algo racional, portanto, não deveria ser analisada assim. A eutanásia é uma conseqüência de uma situação na vida que não possui razão ou sentido, não devendo ser analisada como algo racional.

Obviamente, esta atitude não deveria ser universalizada, partindo do princípio de que qualquer um se acharia no direito de matar caso a eutanásia fosse correta, legal. A eutanásia não trás apenas questões religiosas, médicas, mas também questões sociais.

O suicídio assistido e o aborto dão abertura para que haja assassinatos sem que haja punições, pois se é certo matar, todos também tem o direito de cometer assassinatos. A questão, no entanto, deveria ser sobre a pessoa que está sofrendo e assim como a lei do livre arbítrio, a legalização do aborto e da eutanásia deveriam ter suas exceções, que impedissem genocídios.

Além disso, a proibição do aborto e da eutanásia faz apenas com que as pessoas busquem outros métodos para conseguirem alcançar seus objetivos, sendo apenas mais um risco para a saúde de tais pessoas. Nestas situações é mostrado como o mundo é contraditório e sobretudo como a opinião dos outros -ou do Estado ou da Religião – pode se sobrepor a liberdade da pessoa de decidir sua própria vida.

Thábata Carvalho


[1] LAMA, Dalai e CUTLER, Howard C. – A Arte da Felicidade, p. 128, 2001, Ed. Martins Fontes, SP

[2] O budismo não afirma e não nega a autorização da eutanásia. Enquanto alguns praticantes defendem que a eutanásia é um crime, outros acreditam que apenas respeita sua vontade e a liberdade que tem de viverem como quiserem. Dalai Lama, entretanto, retratou em mais de uma ocasião que cada caso deveria ser analisado como único e julgado a partir desta análise.

~ por thabatacarvalho em Abril 12, 2010.

2 Respostas to “Eutanásia e aborto”

  1. Concordo. A gente tem que ressaltar ainda que, essa política de “não-liberdade” dada à pessoa que sofre a ação é muito séria. Como você disse, só piora as condições de, no caso, clínicas para aborto e o que leva junto, muitas vezes, mãe e filho.

    Acho que enquanto houver intervenções religiosas em práticas cotidianas da nossa vida o problema continuará grave. Falo da camisinha, dos assuntos relatados e outros. E o pior, no caso da camisinha, àqueles que são devotos resta se conformar. A pessoa bota a criança no mundo, claro! Não poderia abortar, e por uma falha, talvez, da igreja a mesma não tem a menor estrutura dada pela instituição, ou seja, resta-lhe rezar.

  2. Eu ia comentar sobre outras ações da Igreja Católica, mas assim como vou fazer com os posts da polícia, vou fazer um grupo de posts sobre a Igreja e religiões em geral para análise.

    Muito obrigada pelo comentário ;D

    T. Carvalho

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